top of page

Sistema Elétrico Brasileiro: o paciente que não quer se curar

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

O sistema elétrico brasileiro é um paciente em estado grave. Seus sintomas não se revelam apenas em cortes de energia em horários de baixa demanda ou excesso de geração. O que dói é ver a energia limpa, abundante, já disponível, ser simplesmente descartada. É como se o paciente cuspisse o próprio remédio enquanto agoniza. E, para piorar, enquanto desperdiça a cura, os preços disparam, penalizando a todos.


O diagnóstico é conhecido: crescimento acelerado da capacidade instalada sem sincronização com a rede de transmissão, gargalos que impedem o escoamento da energia, intermitência das fontes renováveis e incapacidade de equilibrar oferta e demanda. O corpo sofre crises previsíveis, mas insiste em ignorar a receita.



O tratamento existe. Chama-se ARMAZENAMENTO DE ENERGIA EM BATERIAS.


É ele quem poderia transformar desperdício em eficiência, guardando o excesso de energia solar e eólica nos momentos de abundância e liberando-o quando a demanda aperta. Seria como um marcapasso para o grid, devolvendo ritmo e estabilidade ao coração do sistema.


Mais do que isso, o armazenamento pode ser implantado em praticamente todos os locais, com baixíssimo impacto ambiental, resolvendo em curtíssimo prazo problemas pontuais. É como a colocação de pontes ou stents em uma cirurgia cardíaca — simples, direto, eficaz.


Sem esse remédio, o Brasil continuará a desperdiçar sua própria cura. A energia renovável, que poderia reduzir custos, estabilizar preços e fortalecer a matriz, é cortada e jogada fora. O paciente recorre a paliativos — térmicas caras e poluentes — que aliviam momentaneamente, mas não resolvem. É como insistir em antibióticos quando o que se precisa é cirurgia.


O armazenamento não é luxo, é sobrevivência. Ele garante controle do despacho energético, harmoniza o grid, equilibra preços e dá previsibilidade ao mercado. É o remédio que transforma a fragilidade em força, a intermitência em estabilidade, o risco em confiança.


Mas o Brasil, paciente relutante, prefere ignorar o remédio. Enquanto isso, o mundo o utiliza em altíssimas dosagens, países integram baterias em larga escala, empresas investem em soluções residenciais integrando solar + armazenamento, e a tecnologia se fortalece.


A pergunta é dura e inevitável: até quando vamos aceitar que o desperdício de energia renovável seja o sintoma de uma doença que já tem cura?



Por DANIEL LIMA

ECOnomista

Colunista do BLOG da SNW



Comentários


  • Instagram
  • LinkedIn

©2020 por SNW.SOL Marketing. Todos os direitos reservados.

bottom of page