Evolução do Solar FV: números, gargalos e relatos
- Redação SNW.SOL

- há 5 dias
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Se você acompanha o setor só por 'manchete de portal', parece que o Brasil chegou no Nirvana da energia solar: crescimento exponencial, bilhões em investimentos e recordes de instalação.
Mas quem vive essa realidade todos os dias sabe que há muito mais por trás dos gráficos: conexões negadas, gargalos de rede, e resistência operativa que emperra projetos inteiros.
A assessoria de imprensa da SNW.SOL cruzou dados da ANEEL, do Movimento Solar Livre, da ABSOLAR e de diversas fontes públicas para montar um panorama comparativo desde 2018, além de coletar relatos de profissionais que vivem na linha de frente da conexão desses sistemas.
Crescimento real da Geração Distribuída: números que impressionam
O Brasil teve uma evolução acelerada da capacidade instalada de energia solar fotovoltaica nos últimos anos. Acompanhe:
Em 2024 a micro e minigeração distribuída (MMGD) cresceu 8,845 GW em potência instalada com 782.897 novos sistemas, quase todos solares fotovoltaicos, conectados à rede elétrica, beneficiando mais de 1,06 milhão de unidades consumidoras. Ao final de 2024, o total acumulado de GD era próximo de 35,6 GW (potência instalada) em mais de 3,1 milhões de sistemas.
Segundo estimativas setoriais (dados ABSOLAR/ANEEL), até meados de 2025, a capacidade de GD ultrapassou 42 GW de potência instalada, com cerca de 3,77 milhões de sistemas conectados, dominados por sistemas residenciais (80%).
Esse salto representa um aumento de 6,4 GW em GD de 2024 para 2025 em menos de um ano de comparativo direto, o que mostra continuidade da expansão — ainda que a dinâmica de adições anuais possa ser menor do que os picos vistos anteriormente.
Investimentos — mais dinheiro, mais expectativas
Os números de investimento também mostram um setor robusto, embora volátil:
2023: Cerca de R$ 59,6 bi em energia solar, com adição de 11,9 GW. (UOL Economia)
2024: Recorde de 14,3 GW adicionados à matriz, com investimentos aproximados de R$ 54,9 bi. (UOL Economia)
2025: Estimativas setoriais apontam grandes cifras que variam conforme metodologia — incluindo estudos que falam em R$ 9,6 bi especificamente para geração própria corporativa. (Agência Brasil)
Esses números impressionam, mas também escondem compressões reais de mercado: ciclos de crédito, custo de componentes, gargalos de rede e custos de conexão que nem sempre entram nas contas de investimento anunciadas.
Custo de capital e crédito encarece projetos
O custo de capital elevado, com taxa básica de juros (Selic) próxima a dois dígitos elevados ao longo de 2024-2025, impactou diretamente a capacidade de financiar projetos solares no Brasil, tornando crédito mais caro e mais seletivo para novos empreendimentos. Setores financeiros e associações do setor citam esse fator como entrave relevante para novos investimentos, especialmente para projetos de grande porte e GD (geração distribuída); dados internacionais apontam que juros elevados freiam a tomada de crédito e encarecem o custo final do projeto.
Custo de componentes — impacto de dólar, importação e cadeia logística
Apesar de certo recuo nas importações brasileiras de módulos fotovoltaicos no início de 2025 (queda de cerca de 33% no volume importado em dólares FOB) comparado ao ano anterior, o Brasil ainda depende de insumos importados, como módulos e células, que sofrem com volatilidade cambial e custos logísticos elevados. O impacto do câmbio, junto a alíquotas de importação e cotas fiscais (ex. limites de isenção de impostos), pode elevar o custo de equipamentos acima do esperado no orçamento inicial de projetos.
Pressão nos preços de módulos
Relatórios técnicos internacionais apontam que os preços de módulos podem sofrer pressão por restrições de cota fiscal, custos de frete e infraestrutura logística, o que também acaba sendo repassado ao custo final do sistema — reduzindo a margem de projeto quando não incluído no cálculo inicial.
O que dizem os principais líderes do setor
Hewerton Martins — Presidente do Movimento Solar Livre:
“Integradores são a linha de frente da transição energética — e são eles que sofrem quando a rede não acompanha o crescimento.” (fonte: site UOL Economia)
Ronaldo Koloszuk — Presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR:
“O Brasil é um dos mercados solares que mais cresce no mundo, mas precisamos superar desafios regulatórios e de conexão de rede.” (fonte: site Absolar)
Talita Porto — Diretora técnico-regulatória da ABSOLAR:
“Cortes de geração e negativas são pontos de atenção — sem regras claras, o setor perde eficiência e confiança.” (fonte: site Absolar)
Crescimento que impressiona, mas a realidade requer cautela
O salto da capacidade instalada de 2,2 GW em 2018 para 55 GW em 2025 é inegável — o Brasil virou protagonista global em geração solar. (Wikipedia)
Mas ao olhar com mais detalhe vemos que gargalos de rede, custos operacionais e negativas de conexão estão moldando experiências reais de integradores e investidores.
Enquanto manchetes celebram números totais, o mercado precisa olhar para o atrás dos números — onde contratos são cancelados, filas de acesso acumulam e regras em evolução geram incertezas. Quem quiser entender o setor de verdade em 2025 precisa desse olhar duplo: estatístico + vivencial.
Da Redação SNW.SOL






é a realidade brasil, custos altos, falta de regras ou falta de cumprimento das regras e do outros lado a lutas por preços cada vez mais baixo, virou uma bola de neve. 50% de redução nas vendas, juros altos, fabricantes e distribuidores fechando no brasil. E tambem ouvi de um amigo que o chines mudou a chave para as baterias, entao a tendencia agora sera elevação de preços