O Elo Perdido da transição energética: Por que a abordagem de sistemas é a chave para o futuro
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No complexo tabuleiro da transição energética global, não basta apenas instalar painéis solares ou turbinas eólicas. O verdadeiro desafio reside na harmonia. A abordagem de sistemas — uma metodologia que analisa como partes individuais de um ecossistema interagem para formar um todo funcional — tornou-se indispensável para a padronização das tecnologias de Smart Energy (Energia Inteligente), evitando sobreposições técnicas e garantindo a eficiência operacional.
A complexidade como nova norma

À medida que a eletrotecnologia evolui, as soluções isoladas perdem espaço para a visão sistêmica. Profissionais com foco em nível sistêmico — especialistas que cruzam diferentes domínios técnicos para prever como uma mudança em um componente afeta o restante da rede — são os arquitetos da interoperabilidade.
Um exemplo prático é a mobilidade elétrica. Não se trata apenas de carros e baterias, mas da interação entre a rede elétrica, infraestruturas de recarga e o comportamento do usuário. No Brasil, esse tema ganhou contornos definitivos em maio de 2024, quando a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) registrou um recorde histórico de emplacamentos de veículos eletrificados, evidenciando a urgência de normas que integrem esses ativos à rede nacional de forma segura.
Pensamento sistêmico e a atuação da IEC
Para garantir confiança e segurança, a IEC (International Electrotechnical Commission) tem avançado através dos seus SyCs (System Committees) — comitês de alto nível que coordenam o trabalho de diversos grupos técnicos para evitar conflitos de padrões.
Pascal Terrien, presidente do SyC para Energia Inteligente, destaca que o foco atual é a digitalização do sistema elétrico. "Nosso DNA é a coordenação", afirma. O SyC trabalha em conjunto com comitês como o TC 57, responsável pelos padrões de Smart Grid (redes elétricas inteligentes que utilizam tecnologia digital para monitorar e gerenciar o fluxo de eletricidade de forma bidirecional).
No cenário brasileiro, essa digitalização é visível no avanço dos Smart Meters (medidores inteligentes que permitem a leitura remota e a tarifação flexível). Segundo dados da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) de 2023, o Brasil já ultrapassou a marca de 10 milhões de medidores inteligentes instalados, um passo crucial para a modernização do setor.
A Fronteira dos Dados e os Gêmeos Digitais
Um dos pilares dessa revolução é o enfrentamento do "desafio dos dados". O objetivo é integrar o consumidor final através de tecnologias como os Digital Twins (Gêmeos Digitais) — réplicas virtuais de ativos físicos que utilizam dados em tempo real para simular comportamentos e prever falhas antes que elas ocorram.

Essa tecnologia é vital para a resiliência da rede (a capacidade do sistema elétrico de resistir a eventos extremos e recuperar-se rapidamente). No Brasil, após os eventos climáticos extremos ocorridos no Rio Grande do Sul em maio de 2024, o debate sobre a resiliência das redes de distribuição ganhou prioridade máxima no Ministério de Minas e Energia (MME), reforçando a necessidade de normas técnicas que permitam a recomposição rápida do sistema através de dados precisos.
O futuro: Hidrogênio, edifícios "emissão zero" e novos desafios
O horizonte da normatização agora se volta para áreas como o Smart Hydropower (gestão inteligente de usinas hidrelétricas com sensores avançados) e os Net-Zero Buildings (edifícios que produzem tanta energia quanto consomem, anulando suas emissões de carbono).
O grande desafio, segundo Terrien, é o capital humano. O setor demanda especialistas que compreendam a integração entre o setor elétrico e as novas fronteiras, como o Hidrogênio Verde (H2V). O Brasil, aliás, sancionou em agosto de 2024 o Marco Legal do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (Lei 14.948/2024), posicionando o país como um potencial hub global, mas que exigirá uma padronização técnica rigorosa para que o H2V converse perfeitamente com a rede elétrica nacional.
Da Redação da SNW.SOL




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