Transição Energética: a janela de oportunidade brasileira
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Por FRED LEITÃO
A guerra no Oriente Médio parece distante, mas seus efeitos já chegaram ao Brasil pela crise de combustível. O diesel, ao superar R$ 8,00 por litro, não é apenas um evento econômico isolado — é um sintoma estrutural de uma reconfiguração geopolítica global.
Sinto isso na prática. Pelo menos uma vez por semana, dirijo até minha propriedade rural para cuidar da produção de queijaria e avicultura, e isso muda significativamente minha conta de custos com mobilidade.
Verdade seja dita, não sou apenas eu quem se tornou refém dessa situação. O Brasil, importador de 30% de seu diesel e 20% de seu petróleo, também se tornou — não por escolha, mas por estrutura.
"Quando navios contratados para entregar diesel no Brasil desviam para portos que oferecem preços maiores, isso não representa apenas um problema logístico. Representa a hierarquia de poder no sistema econômico global."
Enquanto o governo negocia subsídios e isenções fiscais para atenuar a crise do diesel, há uma verdade silenciosa no horizonte: a transição para veículos elétricos e fontes renováveis de energia não é apenas ambiental ou tecnológica. É geopoliticamente estratégica — utilizar a transição energética como estratégia de blindagem geopolítica.
Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as vendas de carros elétricos e híbridos em 2025 cresceram 26% em relação aos emplacamentos registrados em 2024. Foram vendidos 223.192 veículos eletrificados em 2025, ante 177.538 em 2024 e 93.927 em 2023. Na comparação com 2023, o avanço chega a 138%.

A guerra no Oriente Médio é o melhor catalisador que a transição energética brasileira poderia ter — não porque seja desejável que haja conflito, mas porque o cenário atual cria uma janela de oportunidade única para o Brasil acelerar sua transição energética. Se o diesel caro continuar pressionado pelo cenário externo, 2026 pode marcar uma aceleração ainda maior nas vendas de elétricos e híbridos no Brasil.
No fim, a crise geopolítica pode acabar impulsionando um movimento que já estava em curso: mais eletrificação, mais competitividade, mais descarbonização e, consequentemente, mais independência energética.
Fred Leitão
Empresário | Fundador da PCD HUB




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