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650% de alta nas buscas por energia no BR: interesse ou ilusão de algoritmo?

  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Numa análise superficial, a história parece simples: o brasileiro acordou sustentável. Mas quem está há mais de oito anos no setor fotovoltaico sabe que o buraco é mais embaixo.



Segundo o Google, nos últimos 3 meses as buscas por “energia sustentável” cresceram cerca de 650% no Brasil. Só “energia solar” ultrapassou 135 mil pesquisas mensais. Termos como “energia solar por assinatura” e “placa solar preço” também dispararam.


Acompanhei esse mercado quando ainda era preciso explicar o que era inversor string. Já atendemos mais de 150 empresas com a 🎯SOLZAP e no Grupo SNW — são fabricantes, distribuidores, EPCistas, investidores e empreendedores do ecossistema solar — além de manter relacionamento com uma base de mais de 35 mil integradores no Brasil e América Latina. 


E posso afirmar: busca não é conversão. Interesse não é fechamento. Tendência não é maturidade.



A conta de luz continua sendo o maior influenciador digital do Brasil.


Sempre que a tarifa sobe ou a bandeira vermelha aparece, o tráfego dispara. O próprio noticiário especializado, como a pv magazine Brasil , já mostrou correlação direta entre aumento na conta de luz e crescimento nas pesquisas sobre energia solar.


Não é ambientalismo romântico. É sobrevivência financeira.


A energia solar virou ferramenta de defesa do orçamento familiar. O discurso ESG pode até gerar clique, mas o que gera lead qualificado ainda é economia real.



O que os números escondem


Segundo dados da ABSOLAR, a Geração Distribuída já ultrapassa dezenas de gigawatts instalados no país. A ANEEL mantém um painel público que confirma o avanço contínuo das conexões.


Mas há uma diferença entre crescimento de base instalada e qualidade de mercado.


Nos bastidores, vejo:


  • Consumidores pesquisando mais, mas decidindo menos

  • Integradores recebendo mais orçamentos solicitados, mas com taxa de fechamento menor

  • Cliente muito mais informado — e muito mais desconfiado


O Google mostra intenção. O setor sente hesitação.



Jovens e mulheres puxando as buscas


Outro dado relevante: o crescimento de interesse é liderado por mulheres e jovens adultos entre 18 e 24 anos.


Isso muda o perfil do consumidor solar.


Ele é digital, compara financiamento, simula retorno, pesquisa reputação no Reclame Aqui antes de fechar. Ele quer economia, mas também quer propósito. E não aceita discurso técnico vazio.


Para quem vende solar, isso exige mais do que preço competitivo. Exige narrativa clara, transparência contratual e maturidade operacional.



O risco da euforia digital


Já vimos esse filme.


Entre 2020 e 2022, o mercado cresceu em ritmo exponencial. Muitos entraram achando que bastava importar módulo e abrir CNPJ. Agora o cenário é outro: crédito mais caro, gargalos de rede, maior rigor regulatório.


A alta nas buscas pode indicar expansão futura. Mas também pode indicar frustração represada.


Muita gente pesquisa porque ouviu falar. Nem todos conseguem conexão aprovada. Nem todos fecham financiamento. Nem todos têm telhado viável.


A diferença entre curiosidade e projeto executado é enorme — e quem vive o dia a dia do setor sabe disso.



Mas afinal: o que esses 650% realmente significam?


Significam que a energia deixou de ser assunto técnico e virou conversa de família.


Significam que o brasileiro está mais atento ao que paga e ao que consome.


Mas também significam que o mercado solar entrou na fase da responsabilidade.


Não basta instalar painel. É preciso educar, estruturar, financiar, conectar e sustentar o cliente no pós-venda.


Depois de oito anos acompanhando esse ecossistema por dentro, posso dizer: o interesse é real. A oportunidade também. Mas só sobrevive quem entende que tráfego não paga boleto — projeto conectado paga.


O algoritmo pode apontar tendência. Mas só quem vive o setor sabe onde está o desafio.



Por Léo Fornazieri

Empresário, Diretor do Grupo SNW



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