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Sistema Interligado Nacional (SIN): um paciente que precisa de tratamento urgente

21 de jul.
2 min de leitura

Por DANIEL LIMA

ECOnomista, Colunista do BLOG da SNW



O SIN, por décadas considerado um “atleta de alta performance”, hoje apresenta sintomas claros de adoecimento sistêmico. Não é um colapso, mas um quadro de estresse crônico que exige diagnóstico preciso e tratamento imediato.



Alterações no Ritmo Cardíaco do Sistema


O “batimento energético” do SIN está irregular. Durante o dia, o sistema sofre hipergeração renovável, levando a cortes (curtailment). No fim da tarde, ocorre uma taquicardia de demanda, sobrecarregando os recursos flexíveis.


A situação só não está pior em virtude da geração distribuída (GD) que funciona como um vasodilatador natural, reduzindo pressão nas artérias do sistema (redes e transmissão). O problema está na expansão centralizada sem o escoamento e a flexibilidade equivalente.



Exames Laboratoriais Alterados


O PLD, que deveria ser o exame que revela o estado real do paciente, está “mascarado”. Ele não reflete:


  • a abundância de renováveis,

  • o valor da flexibilidade,

  • o custo da capacidade firme.


Com isso, o sistema recebe sinais metabólicos errados. A GD atua como um amortecedor fisiológico, reduzindo a carga e evitando cirurgias caras (novos investimentos sistêmicos).



O Corpo Mudou, Mas o Manual Médico Não



O SIN foi projetado para um organismo hidrotérmico, mas hoje é hidro-renovável. Os antigos “protocolos clínicos” (ENA, MLT) já não descrevem o paciente atual.



Tratamento Desatualizado


A regulação ainda prescreve medicamentos antigos para uma doença nova:


  • Mercado de capacidade incompleto.

  • Ausência de mecanismos de armazenamento.

  • Leilões que ignoram flexibilidade.

  • Planejamento de transmissão atrasado.


O sistema precisa de uma medicina moderna com profilaxia eficaz.



Diagnóstico


Estresse Crônico, Não Falência Orgânica


O SIN não está em colapso. Mas apresenta um quadro claro de estresse crônico sistêmico.


O sintoma mais grave é este: cortamos energia renovável barata durante o dia e acionamos térmicas caras à noite. É como um paciente que rejeita nutrientes saudáveis e depende de medicamentos caros para sobreviver.






Tratamento 


  • Flexibilidade como prioridade 

  • Modernização regulatória 

  • Planejamento integrado 

  • Digitalização e previsibilidade 

  • Valorização da energia renovável integrada a armazenamento


O SIN está em mudança acelerada — e mudanças trazem sintomas. A boa notícia: os remédios existem. A má notícia: eles precisam ser administrados agora.

A economia estratégica propõe enxergar o setor elétrico como um organismo vivo: quando um sistema mostra sintomas, não se culpa o órgão - se trata o corpo inteiro.



Daniel Lima 

Empresário | Diretor Executivo da AGROSOLAR Investimentos Sustentáveis

Presidente | ANESOLAR (Associação Nordestina de Energia Solar)

Vice-Presidente | ARMAZENE (Associação Brasileira de Armazenamento de Energia)


“As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do colunista e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial deste canal.”





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