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O Brasil está indo na direção errada

  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

Por DANIEL LIMA ECOnomista, Colunista do BLOG da SNW



Enquanto o mundo acelera a transição para sistemas elétricos flexíveis, limpos e inteligentes, o Brasil acaba de contratar novas térmicas para o Nordeste — justamente a região que mais exporta energia renovável e que mais sofre com gargalos de transmissão.


É uma decisão que desafia a lógica técnica, econômica e estratégica. O Nordeste não precisa de mais geração — precisa de transmissão e armazenamento.



O Nordeste desperdiça a energia limpa que gera porque não tem como transmiti‑la nem armazená‑la. E a resposta do planejamento foi… contratar mais térmicas na região.


O LRCAP 2026 concentrou 69% das térmicas novas no Nordeste. Somando os estados nordestinos, o leilão contratou 6.113 MW de térmicas, mais do que qualquer outra região do país — mais até que o Sudeste, onde está o déficit de potência firme.


Tudo isso numa região superavitária, que já exporta energia. Térmicas no Nordeste não aumentam a segurança do SIN — aumentam o custo. O problema do Brasil não é geração, é transmissão e flexibilidade. 



Térmicas no Nordeste


  • não reduzem risco de déficit


  • não entregam potência firme onde ela é necessária


  • deslocam eólicas e solares


  • ocupam espaço na transmissão


  • aumentam o custo marginal de operação


É um sistema mais caro, mais poluente e menos eficiente. O mundo está fazendo o oposto: substituindo térmicas por baterias. 



A Austrália já mostra o caminho


  • 7 GW de baterias em escala de rede


  • 600 mil baterias domésticas


  • 80% de redução da demanda no pico em casas com armazenamento


  • baterias definindo preço no mercado


  • triplo da energia transferida do dia para a noite, onde há maior consumo



Enquanto isso, o Brasil tem… menos de 1 GWh de BESS contratado


O Nordeste é o melhor lugar do mundo para instalar BESS — não térmicas. A região reúne todas as condições:


  • excesso de renováveis


  • curtailment elevado


  • gargalos de transmissão


  • alta variabilidade solar/eólica


  • polos industriais e portuários


Mas os "especialistas" que planejam o sistema elétrico escolheram… gás importado. A conta vai chegar — e será alta. 



Contratar térmicas no Nordeste significa:


  • pagar disponibilidade por 15 anos


  • importar GNL caro e volátil


  • desperdiçar energia limpa


  • travar a modernização do sistema


  • reduzir competitividade industrial


É uma escolha que reforça o passado e compromete o futuro. O caminho de menor custo é claro — e o mundo já sabe qual é. O Brasil está invertendo essa lógica.


Ainda dá tempo de corrigir o rumo — mas a janela está se fechando. O Nordeste poderia ser o maior hub renovável do hemisfério sul. Poderia liderar a transição energética global. Poderia exportar energia firme, limpa e barata.


Mas isso exige transmissão, armazenamento e flexibilidade — não mais gás, carvão e óleo.



Daniel Lima 

Empresário | Diretor Executivo da AGROSOLAR Investimentos Sustentáveis

Presidente | ANESOLAR (Associação Nordestina de Energia Solar)

Vice-Presidente | ARMAZENE (Associação Brasileira de Armazenamento de Energia)


“As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do colunista e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial deste canal.”



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