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Os desafios técnicos por trás da expansão dos eletropostos

  • há 19 horas
  • 3 min de leitura

Por CHRIS SANTOS

Colunista do BLOG da SNW


Há expansão da infraestrutura de recarga avança no país, mas ela exige uma base elétrica robusta, planejamento e soluções técnicas bem estruturadas


A expansão da infraestrutura de recarga no Brasil vai muito além da instalação de novos carregadores. Por trás de cada eletroposto existe uma camada técnica complexa, que envolve desde a capacidade da rede elétrica até a qualidade da energia disponível.


E é justamente nesse ponto, muitas vezes invisível para o usuário final, que estão alguns dos principais desafios para o avanço sustentável da eletromobilidade no país.


Segundo Thiago Paiva, especialista em energia e mobilidade elétrica com mais de 9 anos de experiência no setor, um dos principais equívocos do mercado é tratar a instalação de carregadores como um processo simples.


“Muita gente acha que é só instalar o equipamento, mas antes disso existe toda uma análise técnica do local”, explica Thiago Paiva.

Entre os principais pontos críticos estão a capacidade da rede elétrica, o dimensionamento adequado da instalação, a qualidade da energia, os sistemas de proteção, o aterramento e a adequação às normas técnicas.


“Sem essa base bem estruturada, o carregador não performa como deveria.”



A infraestrutura elétrica ainda não está pronta por completo



Apesar da evolução do setor, o Brasil ainda enfrenta limitações importantes quando o assunto é infraestrutura elétrica para suportar a eletromobilidade em larga escala.


“O país tem uma rede robusta em muitos centros urbanos, mas a eletromobilidade exige mais: qualidade, estabilidade e capacidade disponível”, destaca Paiva.


Esse desafio se torna ainda mais evidente em projetos que envolvem carregadores rápidos, que demandam alta potência e uso contínuo.



Um dos principais gargalos: adaptação de tensão


Um dos pontos técnicos mais recorrentes e menos visíveis é a necessidade de adaptação da rede elétrica.


Grande parte do Brasil opera em 220V, enquanto muitos carregadores, principalmente os rápidos, exigem 380V trifásico.

Isso torna o uso de transformadores uma etapa frequente nos projetos.


“O transformador não é um problema, mas é um ponto crítico, porque impacta custo, espaço físico e eficiência do sistema”, explica.



Onde estão os maiores desafios


Ao contrário do que muitos imaginam, os maiores desafios não estão nas residências.


Eles aparecem com mais força em ambientes comerciais e grandes estruturas, onde a potência é mais elevada, o uso é contínuo e existe necessidade de gestão e cobrança.


“Isso aumenta significativamente a complexidade do projeto, tanto do ponto de vista elétrico quanto operacional.”



Cada projeto ainda é único


Apesar da evolução do mercado, a falta de padronização ainda exige soluções personalizadas.


Variáveis como tipo de rede disponível, distância do ponto de conexão, potência necessária e perfil de uso fazem com que praticamente cada projeto seja desenvolvido sob medida.


Se Thiago aponta os desafios da instalação, Sheila Lopes, gerente comercial da Solara Transformadores, reforça o papel da base energética que sustenta todo o sistema.



O papel estratégico dos transformadores



Dentro desse cenário, os transformadores assumem uma função essencial na viabilização da infraestrutura de recarga.


Segundo Sheila, a expansão da mobilidade elétrica exige soluções que garantam estabilidade, segurança e eficiência no fornecimento de energia.


“Os transformadores são fundamentais para suportar as altas demandas dos carregadores e garantir qualidade no fornecimento”, destaca.


Ela também reforça que a eficiência energética será cada vez mais determinante para o crescimento do setor.


“A redução de perdas e o melhor desempenho dos sistemas são essenciais para viabilizar a expansão com confiabilidade”, afirma Sheila Lopes.


Transição vs. Infraestrutura


O avanço da mobilidade elétrica no Brasil expõe um ponto central: a transição não depende apenas de tecnologia visível, mas de uma infraestrutura elétrica sólida e muitas vezes invisível.


Enquanto o carregador representa a ponta mais perceptível da mudança, é a engenharia por trás dele que determina se essa expansão será sustentável ou limitada.


A combinação entre capacidade de rede, qualidade de energia, padronização de projetos e soluções de transformação energética será decisiva para o ritmo da eletromobilidade no país.


No fim, o desafio não é apenas instalar mais eletropostos.


É garantir que o sistema elétrico consiga sustentá-los em escala.

O carregador é o que aparece. A infraestrutura elétrica é o que sustenta.



Sobre os entrevistados


Thiago Paiva

Especialista em Energia e Mobilidade Elétrica, com mais de 9 anos de experiência no setor elétrico. Atua na estruturação de projetos e expansão de soluções energéticas, com foco em infraestrutura de recarga, sistemas fotovoltaicos, mercado livre de energia, armazenamento (BESS) e soluções integradas. À frente da PTX Energy Solutions, atua no modelo turnkey, entregando projetos completos de energia e mobilidade elétrica.



Sheila Lopes

Gerente Comercial da Solara Transformadores, com atuação no desenvolvimento de soluções para infraestrutura elétrica. Especialista em sistemas de transformação de energia, reforça o papel dos transformadores na estabilidade, eficiência e viabilidade da expansão da mobilidade elétrica no Brasil.




CHRIS SANTOS

Empresária | Diretora da Plano A Consultoria e Relacionamento


“As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do colunista e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial deste canal.”



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