'Armazenamento pode reduzir custo térmico em 11% e estabilizar o PLD', aponta Ricardo Simabuku, Conselheiro da CCEE
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Por CHRIS SANTOS
Colunista do BLOG da SNW
O sistema elétrico brasileiro vive um momento de inflexão. Com a expansão acelerada das fontes renováveis, especialmente solar e eólica, cresce a necessidade de soluções que garantam flexibilidade, segurança e eficiência econômica ao SIN (Sistema Interligado Nacional).
Em entrevista à Chris Santos, jornalista e nova colunista do Blog da SNW, Ricardo Simabuku (conselheiro da CCEE - Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) detalha como os sistemas de armazenamento por baterias podem reduzir a volatilidade de preços, mitigar cortes de geração (curtailment) e diminuir o despacho térmico.
A entrevista:
Qual a avaliação da CCEE sobre a importância do armazenamento de energia para a evolução do mercado elétrico brasileiro?
Ricardo Simabuku: A CCEE avalia que o armazenamento de energia é um dos vetores centrais para a evolução do setor elétrico brasileiro, especialmente diante da crescente participação das fontes renováveis intermitentes na matriz.
O sistema hoje dispõe de energia limpa e abundante, mas enfrenta desafios como dificuldades de flexibilidade operativa, com excesso de geração em determinados horários e falta de potência em outros, o que tem exigido a contratação de usinas termelétricas para garantir confiabilidade ao atendimento, com impacto relevante sobre os custos.
Neste contexto, o armazenamento em baterias se apresenta como solução estruturante ao deslocar energia gerada em períodos de baixa demanda para os horários de pico. Além disso, contribui para mitigar o corte de geração renovável (curtailment), reduzindo perdas aos empreendedores.
Trata-se de uma tecnologia capaz de ampliar a eficiência do uso dos recursos energéticos e promover uma transição energética com menor custo estrutural.
De que forma os sistemas de armazenamento podem impactar o ambiente de comercialização de energia e a formação de preços?
Ricardo Simabuku: Os sistemas de armazenamento têm potencial para reduzir a volatilidade e a amplitude das variações do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) ao longo do dia.
A CCEE realizou simulações com sistema de armazenamento de 7 GWh de capacidade e observou que soluções do tipo ajudam a estabilizar os preços.
Na prática, a bateria seria carregada quando os preços estão baixos (elevada geração solar ou eólica) e descarregada nos picos de preço.
Esse movimento reduz a diferença de consumo entre os horários de ponta e fora de ponta e diminui o risco de exposição dos agentes.
Os estudos indicam ainda: eliminação do corte de geração no dia simulado, aumento da exportação do Nordeste para o Sudeste e redução de 11% no custo de geração térmica.
Na visão da CCEE, quais são os principais desafios e oportunidades para a inserção do armazenamento no modelo atual do setor elétrico?
Ricardo Simabuku: O principal desafio ainda é o custo de implantação, que limita a viabilidade de investimentos baseados puramente na arbitragem de preços.
Há também desafios regulatórios, como a definição do enquadramento do ativo e riscos de dupla tarifação pelo uso da rede.
Entre as principais oportunidades está a contratação de potência por meio do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), mecanismo capaz de viabilizar economicamente os projetos ao assegurar receita fixa.
O armazenamento também pode viabilizar novos modelos de negócios, como serviços ancilares, resposta da demanda e produtos estruturados no mercado livre, ampliando a sofisticação do ambiente de comercialização.
Reforçando a tendência
Simulações da CCEE indicam que, com 7 GWh de capacidade instalada, seria possível reduzir em até 11% os custos associados às termelétricas.
"Mais do que uma inovação tecnológica, o armazenamento desponta como peça estratégica para a modernização do mercado e para o avanço regulatório que se desenha no país" , afirma Ricardo.
CHRIS SANTOS
Empresária | Diretora da Plano A Consultoria e Relacionamento
“As opiniões expressas nesta entrevista são de responsabilidade exclusiva do colunista e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial deste canal.”



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