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O Plano Safra 2026/27 foi oficializado. Cresceu, mas será que acompanhou a realidade do produtor rural?

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Por CARLOS "REI DO AGRO" ANDRIOLLI



Foi anunciada a primeira etapa do Plano Safra 2026/27 e chegou cercado por grandes expectativas. Depois de um período marcado por juros elevados, margens apertadas, eventos climáticos extremos e aumento do endividamento no campo, o produtor rural esperava um plano capaz de responder à realidade que vive todos os dias. A expectativa, porém, foi maior que a entrega.


É verdade que o volume de recursos anunciado cresceu, isso é sempre positivo. Mas um Plano Safra não pode ser medido apenas pelo tamanho dos números apresentados em uma coletiva de imprensa. O que realmente importa é a qualidade desse crédito, a facilidade de acesso e, principalmente, se ele chega ao produtor em condições que permitam investir, produzir e crescer. É aqui que entra a verdade.


Essa é a grande distância entre o discurso e a realidade.


Enquanto o governo comemora essas cifras bilionárias, milhares de produtores enfrentam dificuldades para manter o fluxo de caixa, renegociam dívidas, adiam investimentos e convivem com um custo financeiro que, em muitos casos, inviabiliza novos projetos. Penso que o crédito rural deve ser um instrumento para desenvolvimento. E quando seu custo se torna excessivo, ele deixa de estimular a produção e passa a limitar a capacidade de investir.


O agronegócio brasileiro não precisa só de mais recursos. Precisa de políticas públicas conectadas com a realidade do campo.

O produtor enfrenta riscos que poucos setores da economia conhecem. Convive com incertezas climáticas, oscilações de mercado, custos crescentes e prazos longos entre o investimento e o retorno. Nesse cenário, oferecer crédito caro é ignorar a lógica da atividade rural.


É preciso compreender que apoiar o produtor rural não significa conceder privilégios. Significa fortalecer um setor estratégico para o país, responsável por gerar empregos, abastecer o mercado interno, sustentar as exportações e contribuir decisivamente para a economia brasileira. Quando o produtor deixa de investir, toda a cadeia perde. Estamos falando em 30% dos empregos brasileiros que trabalha diretamente e indiretamente ao agronegócio.


Ainda assim, existe uma característica que diferencia o homem e a mulher do campo. Mesmo diante das dificuldades, continuam acreditando. Trabalham com planejamento, enfrentam riscos diariamente e iniciam cada safra com esperança de dias melhores. É essa confiança que mantém o agro brasileiro forte, mesmo quando as políticas públicas ficam aquém das necessidades do setor. Esse é o otimismo brasileiro.



O Plano Safra 2026/27 ainda pode ser aperfeiçoado nas próximas etapas, pois não saiu a Agricultura familiar. Mas a principal lição deste momento é clara: o Brasil precisa construir uma política agrícola que enxergue o produtor rural como parceiro do desenvolvimento nacional, e não apenas como destinatário de anúncios. Porque, no fim das contas, quem sustenta o agro não são os discursos. São milhões de produtores que seguem trabalhando, investindo e acreditando, mesmo quando a realidade insiste em lhes impor desafios cada vez maiores.


PRODUTOR, CALMA.



Carlos Andriolli “REI DO AGRO”

Especialista em Vendas para o Agronegócio


“As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do colunista e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial deste canal.”



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