Leilão de 2026 garante retorno ultrarrápido a investidores e pressiona tarifas de energia
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Por DANIEL LIMA ECOnomista, Colunista do BLOG da SNW
O maior leilão de térmicas da história do setor elétrico brasileiro, realizado em março de 2026, contratou 18,97 GW de potência — em sua maioria usinas a gás natural — com um investimento total de R$ 64,5 bilhões.
O custo anual para remunerar os empreendedores será de R$ 38,9 bilhões, valor que será integralmente repassado aos consumidores por meio do Encargo de Reserva de Capacidade (ERCAP).
Payback em tempo recorde (a jato)
Os números revelam a dimensão da vantagem para os investidores. Com receita anual de quase R$ 39 bilhões, o retorno do capital aplicado ocorrerá em menos de dois anos. Esse foi o resultado dos preços contratados que dobraram de valor inexplicavelmente no decorrer do processo.
Ou seja, em menos de 20 meses, todo o investimento estará recuperado, enquanto os contratos garantem receitas bilionárias por até 15 anos.
Impacto imediato nas tarifas
Para os consumidores, o efeito é o oposto. Em 2026, até abril, os reajustes médios nacionais ficaram em torno de 8%, quase o dobro da inflação projetada (4,8%). No caso de clientes industriais e comerciais de alta tensão (Grupo A4), os aumentos chegaram a 18,75%.
Além disso, o ERCAP adiciona já neste ano entre R$ 25 e R$ 35 por MWh às tarifas, o que representa um acréscimo de cerca de 6% na fatura de um consumidor típico de alta tensão. Até 2031, esse encargo pode superar R$ 100/MWh, elevando o peso para 14% da conta total.

O discurso da “modernização”
Enquanto o discurso oficial fala em “redução de custos” e “modernização do setor elétrico”, a prática mostra tarifas acima da inflação e encargos bilionários. Estimativas indicam que o ERCAP sozinho pode transferir R$ 500 bilhões aos empreendedores de térmicas nos próximos 15 anos.
O resultado é claro: investidores garantem retorno rápido e seguro, enquanto consumidores enfrentam aumentos imediatos e contínuos.
O Leilão de 2026 expõe um contrassenso: em nome da segurança energética, o modelo assegura lucros ultrarrápidos para poucos grupos econômicos e impõe custos crescentes para milhões de brasileiros.
A “modernização” do setor, na prática, tem significado pagar mais para sustentar privilégios para pouquíssimos.
Daniel Lima
Empresário | Diretor Executivo da AGROSOLAR Investimentos Sustentáveis
Presidente | ANESOLAR (Associação Nordestina de Energia Solar)
Vice-Presidente | ARMAZENE (Associação Brasileira de Armazenamento de Energia)
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