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Aumento da tarifa de baterias de Íon-Lítio: proteção industrial ou contradição energética?

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
Créditos: Assessoria SNW.SOL
Créditos: Assessoria SNW.SOL

Por DANIEL LIMA

ECOnomista, Colunista do BLOG da SNW


A recente Resolução GECEX nº 893/2026, que elevou de 18% para 25% a tarifa de importação de baterias de íon‑lítio (NCM 8507.60.00), reacendeu um debate essencial para o futuro energético do Brasil. A medida atende a pleitos de fabricantes nacionais e busca criar um ambiente protegido para o desenvolvimento da indústria local. Mas, ao mesmo tempo, impõe custos adicionais a setores que dependem diretamente dessa tecnologia — especialmente o armazenamento de energia (BESS), peça-chave como ativo energético.


O mundo inteiro trata baterias como infraestrutura crítica. Sem armazenamento, não há integração eficiente de renováveis, não há estabilidade de rede, não há redução de térmicas. Países como EUA, China, Alemanha e Austrália aceleram investimentos, criam incentivos, subsidiam produção e estruturam políticas de longo prazo. 


O Brasil, por outro lado, ainda enfrenta falta de regulação específica, ausência de incentivos fiscais, incertezas sobre remuneração de serviços ancilares e dependência total de importações. Agora, soma-se a isso um aumento tarifário que encarece projetos e reduz competitividade.


O tiro no pé é evidente: enquanto o país discute descarbonização, eletrificação e expansão de renováveis, eleva-se o custo de uma tecnologia indispensável para viabilizar tudo isso. A indústria nacional de baterias ainda não possui escala, maturidade tecnológica ou cadeia integrada para aproveitar plenamente essa proteção. 


Sem políticas complementares — P&D estruturado, incentivos à produção local, parcerias internacionais, programas de compras públicas e segurança regulatória — a tarifa isolada tende a ser apenas um aumento de custo, não um vetor de desenvolvimento.



O risco é claro: perdermos o timing global


Créditos: Wladimir Janousek


O setor de armazenamento cresce exponencialmente no mundo, impulsionado por queda de preços, inovação e políticas públicas coordenadas. Se o Brasil não alinhar discurso e prática, corre o risco de ficar à margem dessa transformação, atrasando a modernização do setor elétrico e desestimulando investimentos em infraestrutura energética avançada.


A discussão não é sobre ser contra ou a favor da indústria nacional. É sobre estratégia. É sobre coerência. É sobre entender que baterias não são um produto comum: são a espinha dorsal da nova economia elétrica. Se queremos protagonismo na transição energética, precisamos de políticas que conciliem competitividade, inovação e sustentabilidade — e não de medidas que criam barreiras justamente onde deveríamos estar avançando.



Daniel Lima 

Empresário | Diretor Executivo da AGROSOLAR Investimentos Sustentáveis

Presidente | ANESOLAR (Associação Nordestina de Energia Solar)

Vice-Presidente | ARMAZENE (Associação Brasileira de Armazenamento de Energia)


“As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do colunista e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial deste canal.”



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