Armazenamento de energia no agronegócio: por que a bateria é a próxima fronteira do campo brasileiro?
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Por CARLOS "REI DO AGRO" ANDRIOLLI

O DIESEL AINDA DOMINA, MAS CUSTA CARO.
Em grande parte do interior do Brasil, a rede elétrica das distribuidoras não chega, ou chega instável às propriedades rurais. Por isso, o gerador a diesel continua sendo a solução padrão para irrigar lavouras, secar e armazenar grãos, resfriar leite, climatizar granjas e manter pivôs de irrigação funcionando.
O problema é o custo: geradores diesel de médio porte (60–500 kVA) custam de R$ 80 mil a R$ 400 mil, e o combustível é uma despesa recorrente e volátil. Em sistemas de bombeamento e irrigação, comparativos de mercado mostram que o diesel pode custar mais que o dobro, em cinco anos, do que uma solução solar equivalente, isso sem contar ruído, manutenção de motor e emissões. O
AGRO JÁ ESTÁ MIGRANDO PARA ENERGIA PRÓPRIA.
O setor rural já responde por cerca de 14% de toda a potência solar fotovoltaica instalada no Brasil, somando aproximadamente 4,8 GW distribuídos em telhados e áreas de baixo aproveitamento agrícola. A energia solar resolve a geração durante o dia, mas não resolve a intermitência. E é aí que entra os BESS (Sistemas de Armazenamento de Energia com Baterias), permitindo usar energia solar à noite, nos picos de demanda de pivôs e secadores, ou como reserva de segurança quando a rede cai.
BATERIA: UMA CURVA DE CUSTO EM QUEDA ACENTUADA
O que antes inviabilizava o armazenamento de energia em fazendas era o preço. Hoje, esse cenário mudou:
O custo médio global de baterias de íon-lítio caiu para cerca de US$ 108/kWh em 2025, uma queda de aproximadamente 93% frente a 2010.
No Brasil, o preço de sistemas BESS (Battery Energy Storage System) instalados caiu por volta de 45% nos últimos cinco anos, com nova queda de cerca de 35–40% no preço das células apenas nos dois últimos anos, puxada pela redução do custo do lítio.
Hoje, sistemas comerciais e industriais de armazenamento no Brasil giram em torno de R$ 2.000 a R$ 3.500 por kWh instalado, dependendo da escala e tecnologia, e a expectativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é de novas quedas relevantes até 2030, à medida que a produção nacional (como exemplo, a nova fábrica da WEG em Itajaí/SC, com 2 GWh/ano de capacidade a partir de 2026) amplia a oferta local.
Estudos do setor apontam que sistemas híbridos (solar + bateria + diesel) já conseguem reduzir em até 30% o consumo de diesel nas fazendas, sem exigir a substituição total da infraestrutura existente, o que reduz o risco do investimento inicial.
RESULTADOS JÁ MENSURÁVEIS NO CAMPO
O caso mais citado do setor é o de uma fazenda em Barreiras (BA), onde uma microrrede combinando energia solar, baterias, uma pequena central hidrelétrica (PCH) e diesel como reserva foi implantada para alimentar pivôs de irrigação sem acesso à rede da concessionária. O sistema, com um software que escolhe automaticamente a fonte mais barata a cada momento, gerou uma economia estimada em R$ 2,47 milhões pela redução do uso de diesel. Grandes players do agronegócio brasileiro, como ocorreu no Grupo Bom Futuro, com parque gerador próprio de cerca de 200 MW, já avaliam projetos-piloto de baterias integradas à geração solar para escalar a solução em suas operações de secagem, armazenagem e beneficiamento.
POR QUE ISSO IMPORTA PARA O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO?
Os Sistemas de Armazenamento de Energia com Baterias não competem com os Geradores à Diesel, e nem é o objetivo, ela o torna dispensável em boa parte do tempo. Para o produtor rural, isso significa: previsibilidade de custo energético, isolando a operação da volatilidade do preço do diesel e do câmbio; continuidade operacional em regiões com rede precária ou inexistente, especialmente crítico nas janelas de irrigação e secagem que definem a produtividade da safra; e uma resposta concreta à pressão por sustentabilidade e redução de emissões que já influencia financiamento e certificação no comércio agrícola internacional. Com o custo por kWh armazenado em trajetória de queda contínua e a produção nacional de baterias ganhando escala, o armazenamento de energia deixa de ser um luxo tecnológico e passa a ser, cada vez mais, uma decisão de gestão de risco e de margem para o agronegócio brasileiro.
Fontes:
• Empresa de Pesquisa Energética (EPE) — Caderno MMGD & Baterias 2035 (2025): epe.gov.br
• GESEL/UFRJ — BESS: Tecnologias, Aplicações e Tendências (2025): gesel.ie.ufrj.br
• ABSAE — Custo dos sistemas de armazenamento em baterias segue em queda (2025): absae.org.br
• SolarPrime — Quanto Custa BESS? Preços, Payback e Financiamento em 2026 (2026): solarprime.com.br
• Intelligenzia — BESS no Brasil: por que armazenamento virou tema estratégico (2026): saladeimprensa.intelligenzia.com.br
• AgFeed — Sol e baterias garantem eletricidade para projetos de irrigação (Barreiras, BA): agfeed.com.br
• Reuters/Terra/Investing — Agro do Brasil adere à energia solar e vê nas baterias oportunidade de substituir diesel (2024): terra.com.br
• Canal Solar — Sistemas de irrigação com solar: aplicações e benefícios (2025): canalsolar.com.br
• Motormac — Quanto custa um gerador diesel industrial: motormac.com.br
Carlos Andriolli “REI DO AGRO”
Especialista em Vendas para o Agronegócio
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